Escala de Avaliação para Depressão Psicótica
PDAS · 11 questões · autoaplicávelA Escala de Avaliação da Depressão Psicótica (PDAS) foi validada cientificamente para ser aplicada por um profissional treinado. Um paciente com psicose será incapaz de responder de forma confiável a itens como "Desconfiança", "Alucinações" e "Alterações no conteúdo do pensamento". Eventualmente, um cuidados ou familiar que domine conceitos de psicose talvez possa responder pelo paciente, por isso a versão foi disponibilizada também na forma de envio de link por email, como se se tratasse de uma escala auto-aplicável, porém a escala nunca deve ser respondida pelo próprio paciente, que pode até reagir de maneira negativa ao se deparar com o termo psicose em relação aos próprios sintomas.
Nessa versão eletrônica, as instruções para uso da escala são apresentadas junto de cada item.
Faixas de interpretação:
A Escala de Avaliação da Depressão Psicótica (PDAS) é uma escala específica para medir a gravidade de depressões psicóticas. A escala é composta por 6 itens (HAM-D6) da Escala de Depressão de Hamilton e 5 itens (BPRS5) da Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica.
A HAM-D6 pode ser considerada como uma “subescala de depressão” e a BPRS5 como uma “subescala de psicose” da PDAS. O escore total na PDAS é obtido somando-se o escore total da HAM-D6 ao da BPRS5, ou somando-se os escores dos 11 itens individuais. Observe que “suicidalidade” não está entre os itens da PDAS. Entretanto, como parte da avaliação clínica de pacientes com depressão, o potencial para suicidalidade sempre deve ser considerado.
Tradução para o Português:
1. Marco Antonio Knob Caldieraro, MD, PhD. Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
2. Edgar Arrua Vares, MD, PhD. Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
3. Marcelo Pio de Almeida Fleck, MD, PhD. Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Referência:
1: Østergaard SD, Pedersen CH, Uggerby P, Munk-Jørgensen P, Rothschild AJ, Larsen JI, Gøtzsche C, Søndergaard MG, Bille AG, Bolwig TG, Larsen JK, Bech P. Clinical and psychometric validation of the psychotic depression assessment scale. J Affect Disord. 2015 Mar 1;173:261-8. doi: 10.1016/j.jad.2014.11.012. Epub 2014 Nov 18. PubMed PMID: 25462426.
A Escala de Avaliação da Depressão Psicótica (PDAS) foi validada cientificamente para ser aplicada por um profissional treinado. Um paciente com psicose será incapaz de responder de forma confiável a itens como "Desconfiança", "Alucinações" e "Alterações no conteúdo do pensamento".
Recomenda-se que o profissional que aplica a escala faça antes perguntas genéricas sobre o paciente e sua história e em seguida explique que, para responder às perguntas, o paciente deve pensar em como tem se sentido na última semana, usando, por exemplo, frases como as seguintes para dar início à entrevista:
“Antes de começarmos com as questões específicas desta entrevista, talvez você possa me contar um pouco sobre você e sua história”; “Agora, eu vou lhe fazer algumas perguntas sobre a última semana. Como você vem se sentindo desde a última (dia da semana)?”
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Sintomas somáticos – geral
Exemplos de perguntas para caracterizar sintomas somáticos:
“Como esteve seu nível de energia nesta última semana?”; “Você sentiu-se cansado?” Se sim: “O quão ruim foi isso?”; “Essa semana, você teve alguma dor ou desconforto muscular?”; “Você sentiu peso ou dor nos seus membros, costas ou cabeça?”; “Você sentiu o corpo pesando muito nesta última semana?”; “Sua fadiga/dor impediu você de cumprir sua rotina diária nesta última semana?”; Se sim: “por favor especifique”.Ausentes (0,00) · Sensação de fadiga ou dor/desconforto muscular duvidosos ou muito vagos (1,00) · Fadiga ou dor/desconforto muscular mais claramente presente, mas sem impacto nas atividades diárias. (2,00) · Fadiga ou dor/desconforto muscular tão marcados que interferem significativamente na vida diária. (3,00) · Fadiga ou dor/desconforto muscular grave e altamente incapacitante (4,00) -
Trabalho e Atividades
Exemplos de perguntas para caracterizar trabalho ou atividades:
“Como você tem usado seu tempo nesta última semana?”; “Você teve interesse em fazer coisas, ou você sentiu que precisava se esforçar para fazê-las?”; “Nesta semana, você se sentiu capaz de cumprir com suas atividades diárias no trabalho/em casa/no hospital?”; “Você precisou de ajuda dos outros para executar tarefas de rotina como vestir-se ou arrumar a cama?”; “Você se incapacitado nesta última semana?”0. Sem dificuldade (0,00) · 1. Problemas leves com as atividades diárias, como trabalho ou lazer (em casa ou ora de casa) (1,00) · 2. Perda de interesse no trabalho ou lazer - tanto referido diretamente pelo paciente, quanto evidenciado indiretamente através de apatia, indecisão e vacilação (o paciente precisa se esforçar para completar suas atividades ou tarefas) (2,00) · 3. Problemas para realizar as tarefas rotineiras, que só podem ser completadas através de grande esforço. Claros sinais de incapacidade. (3,00) · 4. Completamente incapaz de realizar tarefas rotineiras sem ajuda. Incapacidade extrema (4,00) -
Humor deprimido
Exemplos de perguntas que permitem caracteriza melhor o humor:
“Como esteve seu estado de ânimo nesta última semana?”; “Você sentiu-se para baixo, deprimido ou triste?”; “Você chorou mais facilmente do que de costume nesta última semana?”; “Como você vê o seu futuro?”; “Você se sentiu sem esperança nesta última semana?”; Se sim: em quais situações?”; “Você teve pensamentos de que nunca irá se recuperar?”; Se sim: “Você acha que estes pensamentos tem uma base real?0. Ausente (0,00) · 1. Leve tendência ao abatimento ou `a tristeza (1,00) · 2. Indicações mais claras que o humor está para baixo. O paciente está moderadamente deprimido, mas não apresenta desesperança (2,00) · 3. Humor significativamente para baixo com sentimentos ocasionais de desesperança. Pode haver sinais não verbais de humor deprimido (ex. choro) (3,00) · 4. Humor gravemente deprimido com sentimentos persistentes de desesperança. Pode haver delírios depressivos (ex. não há esperança de melhora). (4,00) -
Ansiedade Psíquica
Exemplos de perguntas que facilitam caracterizar "ansiedade psíquica":
“Você tem se sentido tenso, ansioso ou irritável nesta última semana? Sentiu-se com medo ou preocupado?”;, se sim: “Isso é algo além do que é o normal para você?”; “Nesta última semana, você tem tido sensação de pânico?”, se sim: “Em quais situações?”; Se for referida ansiedade: “Esses sentimentos têm sido difíceis de controlar na última semana ou lhe tem impedido de fazer alguma coisa?”0. Ausente (0,00) · 1. Preocupações, tensão ou medo apenas leves (1,00) · 2. Preocupações com questões menores. Ainda capaz de controlar a ansiedade (2,00) · 3. A ansiedade e preocupações são tão pronunciadas que é difícil para o pacientecontrolá-las. Os sintomas têm impacto sobre as atividades diárias (3,00) · 4. A ansiedade e as preocupações são altamente incapacitantes e o paciente éincapaz de controlar os sintomas (4,00) -
Sentimentos de culpa
As seguintes perguntas podem caracterizar melhor o "sentimento de culpa":
“Você tem sido especialmente crítico com você mesmo nesta última semana, ou sentido como se você tivesse decepcionado outras pessoas?”; “Na última semana, você tem se sentido culpado sobre coisas que você fez ou que deveria ter feito, mas não fez?”, se sim: “Por favor, explique”; “Você sente que a sua depressão é uma punição por algo de ruim que você tenha feito?”, se sim: “Você merece esta punição?”; se culpa é referida: “Você acha que os seus sentimentos de culpa são razoáveis/justificáveis?”0. Ausentes (0,00) · 1. Autoestima diminuída em relação a família, amigos ou colegas. O paciente pode sentir-se um peso para os outros (1,00) · 2. Sentimentos de culpa mais pronunciados. O paciente preocupa-se com incidentes do passado. (pequenas omissões ou falhas) (2,00) · 3. Sentimentos de culpa mais graves a ponto de serem despropositados. O paciente pode achar que a depressão atual é um castigo, porém é capaz de reconhecer que dificilmente isso seja verdade (3,00) · 4. Os sentimentos de culpa são delirantes e o paciente não pode ser convencido de que eles são despropositados (4,00) -
Retardo psicomotor
0. Ausente (0,00) · 1. O nível usual de atividade motora do paciente está levemente reduzido (1,00) · 2. Retardo motor mais pronunciado, isto é, gesticulação moderadamentereduzida, marcha lentificada e/ou fala lentificada (2,00) · 3. A lentificação psicomotora é óbvia e a entrevista é claramente prolongadadevido à lentidão para responder (3,00) · 4. A entrevista dificilmente pode ser completada devido ao retardo psicomotor.Estupor depressivo pode estar presente (4,00)
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Retraimento emocional
0. Ausente (0,00) · 1. Falta de envolvimento emocional, demonstrado por uma falha perceptível em manifestar reciprocidade através de comentários, ou falta de afetividade, mas responde ao entrevistador quando abordado (1,00) · 2. O contato emocional não está presente na maior parte da entrevista porque o paciente não elabora as respostas, não faz contato visual, ou parece não se importar se o entrevistador está lhe ouvindo (2,00) · 3. O paciente evita ativamente participação emocional. Ele/ela é frequentemente não-responsivo ou responde dizendo sim/não e com mínimo afeto (não devido unicamente a delírios persecutórios) (3,00) · 4. O paciente evita consistentemente participação emocional. Ele/ela é nãoresponsivo ou responde dizendo sim/não (não devido unicamente a delírios persecutórios). Pode abandonar a entrevista (4,00)
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Desconfiança
Antes de escolher uma das opções abaixo, pedir ao paciente para pensar nas seguintes perguntas, cujas respostas podem revelar diferentes graus de "desconfiança":
“Na última semana, você sentiu como se os outros estivessem lhe observando ou falando de você pelas costas?”; “Você está preocupado com as intenções de alguém em relação a você?”; “Alguém está fazendo coisas com o propósito lhe prejudica ou lhe ferir?”; “Você se sentiu em perigo nesta última semana?”; Observação: Se o paciente referiu alguma ideia/delírio persecutório pergunte o seguinte: “Na última semana, com que frequência você se preocupou com [use a descrição do paciente das ideias/delírios persecutórios]?”; “Você falou com alguém sobre isso?”0. Ausente (0,00) · 1. O paciente parece estar hipervigilante. Ele/ela descreve incidentes em que outros prejudicaram-no ou quiseram prejudicá-lo (soa plausível). Sente como se outras pessoas o estivessem observando, rindo dele ou criticando-o em público, mas isso ocorre apenas raramente. Há pouca ou nenhuma preocupação (1,00) · 2. O paciente diz que outras pessoas estão falando dele/dela maliciosamente, que têm intenções negativas ou que podem querer prejudica-lo (além dos limites do que seria plausível). A perseguição percebida é associada com alguma preocupação (2,00) · 3. O paciente encontra-se delirante e fala sobre planos conspiratórios contra ele/ela. Por exemplo, alguém o estaria espionando em casa/no trabalho/no hospital (3,00) · 4. O mesmo que na opção 3, mas as crenças são mais preocupantes e o paciente tende a revelar seus delírios persecutórios ou a agir a partir deles (4,00) -
Alucinações
Antes de escolher uma das opções abaixo, perguntar ao paciente sobre alucinações usando perguntas como as seguintes:
“Na última semana você: - ouviu pessoas falando, vozes ou outros sons quando não havia ninguém por perto? – Teve visões ou viu coisas que os outros não podiam ver? – sentiu cheiros ou gostos que os outros não podiam sentir? – Sentiu que alguém ou alguma coisa estava tocando você sem estar sendo realmente tocado? – Sentiu que um braço, uma perna ou outra parte do seu corpo estava em uma posição em que na verdade não estava? – Teve alguma sensação de dor, calor ou frio sem ser exposto a coisas doloridas, quentes ou frias?” Observação: Se o paciente referir alguma alucinação, pergunte o seguinte: “Na última semana, com que frequência você sentiu [use a descrição do paciente de sua alucinação]?”; “Isto perturbou você?”0. Ausentes (0,00) · 1. O paciente ocasionalmente tem visões, sente odores, ouve vozes ou sons, ou tem alguma outra percepção sensorial na ausência de estímulo externo. Não lhe causa prejuízo (1,00) · 2. Alucinações visuais, auditivas, gustativas, olfativas, táteis ou proprioceptivas, ocasionais ou diárias, com algum prejuízo funcional (2,00) · 3. O paciente tem alucinações varias vezes ao dia OU algumas áreas do funcionamento estão muito comprometidas pelas alucinações (3,00) · 4. Há alucinações persistentes ao longo do dia OU a maioria das áreas do funcionamento estão muito comprometidas pelas alucinações (4,00) -
Alteração de conteúdo do pensamento
Antes de escolher uma das opções abaixo, sugere-se perguntar sobre "conteúdo do pensamento" nos seguintes termos:
“Você sentiu algo estranho na última semana?”; “Você notou algo estranho no seu corpo, órgãos ou funcionamento do corpo nesta última semana?”; “Você diria que está com boa saúde no momento?”; se não: “Por que não?”; “Se você tivesse que adivinhar agora, até que idade você acha que viveria?”; “Você esteve preocupado com sua situação financeira nesta última semana?”; “Nesta última semana, você esteve preocupado que as coisas pudessem não estar funcionando na sua casa ou outros lugares onde você esteve, como o fornecimento de água, esgoto, eletricidade ou qualquer outra coisa?”; “Na sua opinião, qual o sentido da vida?”; “Você sentiu que você estava sob o controle ou influência de outra pessoa ou alguma força nesta última semana?”; Observação: Se o paciente referir ideias não usuais/delírios, pergunte o seguinte: “Com que frequência você pensou sobre [descreva a ideia não usual/delírio]?”; “Como você explica [descreva a ideia irreal/delírio]?”; “Este(a) [ideia não usual/delírio] teve alguma consequência para você na última semana?”; “Você falou com outras pessoas sobre [ideia não usual/delírio]?” se sim: “O que eles acharam disso?”; “Nesta última semana você fez alguma coisa por causa de [ideia não usual/delírio] que em outra circunstância não teria feito? Itens 6, 7 & 11 (Retardo psicomotor, Retraimento afetivo & Afeto embotado): A pontuação destes itens baseia-se no que é observado a partir da entrevista.0. Ausente (0,00) · 1. Ideias vagas de referência (pessoas estão encarando / rindo do paciente); ideias persecutórias; crenças não usuais em espíritos, OVNIs, etc.; ideias nãorazoáveis sobre doença, pobreza, etc. Não firmemente defendidas (não delirantes) (1,00) · 2. Delírio(s) estão presentes com alguma preocupação ou algumas áreas do funcionamento muito comprometidas pelo pensamento delirante (2,00) · 3. Delírio(s) estão presentes com muita preocupação ou muitas áreas de funcionamento são gravemente comprometidas devido ao pensamento delirante (3,00) · 4. Delírio(s) estão presentes com preocupação quase absoluta ou a maioria das áreas de funcionamento são gravemente comprometidas devido ao pensamento delirante (4,00) -
Afeto Embotado
0. Ausente (0,00) · 1. No geral a amplitude da modulação afetiva está levemente diminuída, reprimida ou contida. O tom de voz pode parecer monótono (1,00) · 2. A amplitude da modulação afetiva está muito diminuída. O paciente não mostra emoção nem reage a tópicos dolorosos ou reage apenas minimamente. A expressão facial não muda com frequência. O tom de voz é monótono grande parte do tempo (2,00) · 3. Muito pouca amplitude ou expressão afetiva. Discurso e gestos parecem mecânicos na maior parte do tempo. A expressão facial não muda. O tom de voz é monótono a maior parte do tempo (3,00) · 4. Virtualmente sem modulação afetiva, expressões ou gestos. Tom de voz monótono todo o tempo (4,00)
1: Østergaard SD, Pedersen CH, Uggerby P, Munk-Jørgensen P, Rothschild AJ, Larsen
JI, Gøtzsche C, Søndergaard MG, Bille AG, Bolwig TG, Larsen JK, Bech P. Clinical
and psychometric validation of the psychotic depression assessment scale. J
Affect Disord. 2015 Mar 1;173:261-8. doi: 10.1016/j.jad.2014.11.012. Epub 2014
Nov 18. PubMed PMID: 25462426.